Geracao ah rasca.

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Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 2:25 pm

Ora aqui esta algo que postaram no Facebook e que tem a sua razao entao decidi partilhar.



Esta Nota não foi escrita por mim mas vale muito a pena ler .......... comentem e partilhem



Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.



Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.



Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.



Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.



São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!



A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.



Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.



Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-característica

s não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.



E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!



Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.



Comentem e partilhem



Comentem.

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 3:54 pm

Gostei muito do texto!

PRIMEIRA NOTA: Não estou a dizer que Portugal anda bem, muito pelo contrário. Simplesmente irei relatar coisas que me fazem comichão, para quem anda constantemente a dizer mal.

Geração à rasca? Sim, concordo com o que foi dito. Muitos são os jovens que não tiveram uma educação como deviam, deveriam lutar e trabalhar por aquilo que querem. Quantos jovens REALMENTE vão a uma manifestação para lutar pelos seus direitos? Possivelmente nem muitos, a grande maioria não possui consciência politica apenas vai a uma manifestação porque é fixe!

Acredito que haja pais que sim, falharam em parte na educação dos filhos. Porém, Que geração à rasca PROPRIAMENTE é esta? Estamos a falar dos jovens que o texto fala em cima, que se estiverem a morrer à fome, recusam-se a trabalhar num McDonalds "porque é degradante e cheira a fritos"? Muitos foram (e continuam a ser) os jovens que se acham no direito de ter direito a tudo e mais alguma coisa, não dando satisfações, falhando anos (porque têm tempo) e fazer figuras tristes na rua. Eu se fosse assim, neste momento andava todas as semanas negro das chapadas de meia noite que apanhava!

Em relação ao emprego, existe falta de emprego, isso é verdade. Cada vez mais se entra por cunhas, porque o trabalho que existia antigamente começa a desaparecer. Porém (e é aqui que quero focar), continuamos muito numa situação do deixa andar, ou seja: Continuamos a ter pessoas pouco produtivas no trabalho, em vez de as substituirmos, continuamos a deixá-las trabalhar, quando alguém conseguiria fazer o trabalho de uma maneira mais eficaz e produtiva. Outro ponto também é que muitos dos jovens pensam que por ter um canudo têm automaticamente emprego. Se formos muito bons, se realmente soubermos procurar, encontramos o emprego (na maioria dos casos).

Nesse aspecto (global) agradeço aos meus pais e avós. Sempre me ensinaram a estudar, a lutar e a trabalhar, seja que trabalho for (e acredito que já trabalhei (quando era mais novo, nas férias em casa da família, e agora) em sítios que muitosjovens nem se atreviam a por os pés) e sempre com respeito por quem trabalha, seja que trabalho for!


Lamento este grande texto Blink Devil

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 4:01 pm

Continuamos a ter pessoas pouco produtivas no trabalho, em vez de as substituirmos, continuamos a deixá-las trabalhar, quando alguém conseguiria fazer o trabalho de uma maneira mais eficaz e produtiva.

Porque achas que TODAS as empresas publicas dao prejuizo? lol eh como aquela anedota "ah o meu pai trabalha na funcao publica, sai as 5 e as 4 ja ta em casa" lol

Eh por esta razao (sem entrar em politica) que eu concordo com a privatizacao das empresas publicas, porque em empresas privadas quem nao trabalha vai pa rua, nas empresas publicas nao, dai as empresas privadas nao darem (tanto) prejuizo como as publicas

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 4:33 pm

DarknessWarrior escreveu:

Porque achas que TODAS as empresas publicas dao prejuizo? lol eh como aquela anedota "ah o meu pai trabalha na funcao publica, sai as 5 e as 4 ja ta em casa" lol


Não conhecia essa mas em muitos casos é uma grande verdade! Muito Contente

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 4:51 pm

epa eu ja a ouvi ah muito tempo mas eh algo do tipo:

puto1: ah o meu pai eh k eh fixe, eh <qualquer coisa>, sai as 5 e as 5.30 ta em casa!
puto2: isso nao eh nada, o meu pai eh <qualquer outra coisa>, sai as 5 e as 5.15 ja ta em casa!
puto3: lol, o meu pai trabalha na funcao publica, sai as 5 e as 4 ja ta em casa.

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 7:44 pm

opa n sei se devo/posso meter para aqui links...mas sendo um fora da lei (A) deixo vos um link q acho q retrata mt bem o estado do nosso pais e o motivo q originou -.-'

http://ferrao.org/2010/10/artigo-no-pravda-jornal-russo-sobre-portugal/

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Shynobi em Qua Mar 16, 2011 7:51 pm

Rapazes,

Olha que post tão interessante.

Adorei o texto e gostei bastante da resposta do MKM.
Concordo com algumas coisas (a maioria) mas outras não serão bem assim.
Não tenho tempo agora para responder como gostaria mas hei-de cá voltar.

Espero que mais malta leia o post e comente. Gostava de ouvir mais opiniões da malta nova.

P.S. - Excelente post Darkness

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Shynobi em Qua Mar 16, 2011 7:56 pm

rituzen escreveu:opa n sei se devo/posso meter para aqui links...mas sendo um fora da lei (A) deixo vos um link q acho q retrata mt bem o estado do nosso pais e o motivo q originou -.-'

http://ferrao.org/2010/10/artigo-no-pravda-jornal-russo-sobre-portugal/

Excelente crónica! Muito acertada.

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se a ser sugado é aquele em que a agências de Ratings, Fitch, Moody’s e Standard and Poor’s, baseadas nos estados unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Esta frase não podia estar mais correcta.

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Qua Mar 16, 2011 10:56 pm

Não podia estar mais de acordo com este post.

Se estes jovens de agora recuassem uns 10 anos, se não arranjassem trabalho de acordo com as habilitações que tinham, não se importavam de trabalhar em que sitio fosse. Tenho por exemplo alguns ex-colegas de liceu, são arquitectos e não se importam de trabalhar nas obras ou em outro sitio qualquer para se orientarem na vida.
Uma parte da geração, que agora tem 30 anos, não tem medo de arregaçar as mangas e trabalhar.
No meu caso fui obrigado a parar de estudar para ir trabalhar, porque a minha mãe não tinha condicções de continuar a pagar os meus estudos. Mas também aos 19 anos já tinha comprado casa, aos 23 comprei o meu 1º carro e tudo isto á custa do meu suor, sem as tipicas ajudas dos paizinhos.
E até hoje não me importo de trabalhar na construção civil, de ser monitor de desporto aventura e fazer trabalhos em altura, e no entanto podia procurar algo mais leve ou de acordo com as minhas habilitações. E por norma trabalho de segunda a domingo e não me importo nada!! Muito Contente

Só postei mesmo para dar um exemplo práctico.

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidado em Qui Mar 17, 2011 12:24 am

To a ver que podiamos deixar de lado a comunidade e formar um partido! Muito Contente

Andem lá que eu quero aproveitar a descida do iva no golfe Smile_great já estou a poupar...

Agora mais a sério... bem verdade este "pequeno" texto.

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por Convidad em Sex Mar 18, 2011 8:19 pm

Dizem os americanos: "We have Barack Obama, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."
Dizem os portugueses: "Whe have José Sócrates, no wonder, no hope and no cash."

Muito Contente

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Re: Geracao ah rasca.

Mensagem por HurukPT em Sex Mar 18, 2011 8:31 pm

simplesmente um pequeno GRANDE texto...

e mais não digo Muito Contente
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Re: Geracao ah rasca.

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